Hão-de ser felizes no céu

Os putos sorriem nesgas
do que nos parece felicidade
pés de chão esfolados nunca a tocam
vem um qualquer dar-lhes prata
matar-lhes o sonho -
saberão quando for tarde.
Hão-de ser felizes no céu
Hão-de ser felizes no mar
os putos magros, sem dentes,
morenos, pretos, brancos,
não são crianças como as crianças
mas gente desfeita com calma
nas ruas duras de calor
Vigiados por urubus sem sono
mostram-nos longe do preconceito
o corpo sujo de andar na vida
para que não lhes vejamos a alma
e escondem-na sabemos lá aonde
Hão-de ser felizes no céu
Hão-de ser felizes no mar
escrever-se-à paz nesses olhos
abandonados sobre a costa ondulada
ou apenas colo de mãe onde choram sós
Enquanto o tempo difícil vai andando
espero um sorriso dos putos
Que seja o céu e o mar


2 Comments:
simplesmente adorei este poema...
beijos
marisa
Infelizmente ainda há muita pobreza no mundo. Muitas pessoas morrem por não terem o k comer. Mas o k podemos fazer? Dar roupas e comida. E o k muitos ricos fazem? Limitam-se a contempla-los.
BJ
Ana
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